segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

fuga na poesia tcheca

“ (...) mas mesmo nos momentos de repentina inquietaçao da Historia, a vida cotidiana emerge cedo ou tarde das sombras e o leito conjugal se revela na sua monumental trivialidade e em sua surpreendente permanencia. Uma noite em que o pai de Jaromil vinha novamente colocar a mao sobre o seio de sua mae, essa se deu conta de que o homem que assim a tocava, nao fazia mais do que aquele que a tinha humilhado. Ela afasta sua mao e o lembra por uma sutil alusao as palavras brutais que ele havia pronunciado algum tempo antes. (...) Ela nao queria ser cruel; ela queria somente mostrar por essa recusa que as grandes aventuras das naçoes nao permitem esquecer as modestas aventuras do coraçao.”


“Jaromil via seu pai tao raramente que ele nem mesmo percebe sua ausencia e ele sonha com seus poemas em seu quarto: para que um poema seja um poema, tem quer ser lido por outra pessoa qualquer; somente assim, temos a prova de que o poema é outra coisa, que um simples diario cifrado e que ele é capaz de viver uma vida propria, independente daquele que o escreveu.”


“Disse que o progresso é incontestavel nas artes: as tendencias da arte moderna significavam a perturbaçao total de uma evoluçao milenar; elas haviam enfim libertado a arte da obrigaçao de propagar as ideias politicas e filosoficas, e de imitar a realidade, e poderiamos dizer que com a arte moderna, começa a verdadeira historia da arte.”


“La vie est ailleurs” – Milan Kundera


Trilha sonora: Keelhauled - Alestorm

2 comentários:

Barrão disse...

gostando de poesia, então?

l. f. amancio disse...

"e nem só de mangás e quadrinhos em geral viverá o estrangeiro na França. mas também da boa literatura tcheca!"
como já comentei antes contigo, preciso reler um pouco de Kundera. mas eu admiro ele por não ser mais um escritor chato do Leste Europeu falando da queda da Cortina de Ferro. para além dessas questões, a escrita dele é bem lapidada.